Este texto a que vos escrevo, não está sendo escrito para heróis, mas para pessoas que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência.
Educar é acreditar na vida, mesmo que derramemos lágrimas.
Há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e cada jovem. Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo.
Pais e filhos vivem ilhados, raramente choram juntos e comentam sobre seus sonhos, mágoas, alegrias, frustrações.
Nós nos tornamos máquinas de trabalhar e estamos transformando nossas crianças em máquinas de aprender.
Não existe mais, nos dias de hoje, lembranças puras do passado, o passado é sempre reconstruído. Os jovens conhecem cada vez mais o mundo em que estão mas quase nada sobre o mundo que são.
Para você que é e/ou pretende ser educador, saiba que: Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para esvaziar e sensibilidade para aprender.
Muitos pais trabalham para dar o mundo aos filhos, mas se esquecem de abrir o livro da sua vida para eles. Infelizmente, seus filhos só vão admirá-los no dia em que eles morrerem.
Ensine seu filho a fazer do palco da sua mente um teatro de alegria, e não um palco de terror. Leve-os a perdoar as pessoas que os decepcionam. Explique a eles este mecanismo.
Declare a seus filhos que eles não estão no rodapé da sua vida, mas nas páginas centrais da sua história. Seus filhos não precisam de gigantes, precisam de seres humanos.
Abra-se, chore e abrace-os. Chorar e abraçar são mais importantes do que dar-lhes fortunas ou fazer-lhes montanhas de críticas.
Não temos controle sobre o processo de formação da personalidade dos nossos filhos. Nós os geramos e os colocamos desde cedo em contato com um sistema social controlador, segundo Foucault.
Para este sistema, por mais ético que ele pretenda ser, seu filho é apenas um consumidor em potencial e não um ser humano. Prepare seu filho para “ser”, pois o mundo o preparará para “ter”.
Já, para vocês que são pais, fiquem sabendo que: pais brilhantes não formam heróis, mas seres humanos que conhecem seus limites e sua força.
Bons pais dizem aos filhos: “Você está errado”. Pais brilhantes dizem: “O que você acha do seu comportamento?”.
Os jovens vivem a geração do “hambúrguer emocional”. Detestam a paciência. Não sabem contemplar o belo nas pequenas coisas da vida.
Uma das coisas mais importantes na educação é levar um filho a admirar seu educador.
A vida é uma longa estrada que tem curvas imprevisíveis e derrapagens inevitáveis. Pais brilhantes mostram que as mais belas flores surgem após o mais rigoroso inverno.
A capacidade de reclamar é o adubo da miséria emocional e a capacidade de agradecer é o combustível da felicidade. Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas.
Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos. Os segredos da felicidade se escondem nas coisas simples e anônimas, tão distantes e tão próximas deles.
Conversar é falar sobre o mundo que nos cerca, dialogar é falar sobre o mundo que somos. Dialogar é contar experiências, é segredar o que está oculto no coração, é penetrar além da cortina dos comportamentos, é desenvolver inteligência interpessoal (Gardner).
Os comportamentos inadequados muitas vezes são clamores que imploram a presença e a atenção dos pais. Não há coisa mais linda, mais poética, do que pais serem grandes amigos dos seus filhos.
Cativem seus filhos pela sua inteligência e afetividade, não pela sua autoridade, dinheiro ou poder.
Lembrem-se sempre: “Ser feliz é um treinamento e não uma obra do acaso”.
Se você conseguir fazer seus filhos sonharem, terá um tesouro que muitos reis procuraram e não conquistaram.
Pais brilhantes são semeadores de idéias e não controladores dos seus filhos.
Antigamente, os pais eram autoritários; hoje, são os filhos.
Em primeiro lugar, aprenda a dizer “não” para seus filhos sem medo. Se eles não ouvirem “não” dos seus pais, estarão despreparados para ouvir “não”da vida.
Em segundo lugar, quando disserem “não”, os pais não devem ficar cedendo a chantagens e pressões dos filhos.
Em terceiro lugar, os pais têm de deixar claro quais são os pontos a serem negociados e quais são os limites inegociáveis.
Atuar no aparelho da inteligência é uma arte que poucos aprendem, e a vida é uma grande escola que pouco ensina para quem não sabe ler.
Atualmente, os professores estão presentes nas salas de aula e os alunos estão em outros mundos.
Por conseguinte, damos valor ao mercado de petróleo, de carros, de computadores, mas não percebemos que o mercado da inteligência está falido.
Devemos enxergar o mundo com os olhos de uma águia. Ver por vários ângulos a educação. Entender que somos criadores e vítimas do sistema social que valoriza o ter e não o ser, a estética e não o conteúdo, o consumo e não as idéias.
Falando como educador, digo que professores fascinantes ensinam os alunos a explorar o mundo que são, o seu próprio ser. A emoção pode transformar ricos em paupérrimos, intelectuais em crianças, poderosos em frágeis seres.
As pessoas hipersensíveis costumam ser excelentes para os outros, mas péssimas para si mesmas.
A memória clama para que o ser humano seja criativo, mas a educação clássica clama para que ele seja repetitivo. A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo de idéias, onde por exemplo, um membro de uma tribo africana tem e pode ter o mesmo potencial de intelecto de um cientista na Nasa ou de Harvard.
Aonde chegamos, onde iremos parar, depende do quanto libertamos a arte de pensar. Multiplicamos o conhecimento, mas não multiplicamos os homens que pensam.
Professores fascinantes formam pensadores que são autores da sua própria historia. Este sim é um mestre inesquecível, e forma seres humanos que farão diferença no mundo.
O tempo pode passar e as dificuldades podem surgir, mas as sementes de um professor fascinante jamais serão destruídas.
Ninguém é derrotado quando suas sementes são enterradas. As sementes que alguém plantou nos solos da memória dos seus discípulos inspirarão a inteligência, libertarão a emoção, romperão o cárcere do medo. Com isso digo: “As informações são arquivadas na memória, as experiências são cravadas no coração”.
Agora, um ensinamento. Nos primeiros trinta segundos em que estamos tensos, cometemos nossos piores erros, nossas piores atrocidades. Portanto, não procure dar uma lição de moral em quem foi agressivo, mas leve a pessoa a pensar acerca do que fez de errado, depois, com mais calma.
O afeto e a inteligência curam as feridas da alma e reescrevem as páginas fechadas do inconsciente.
Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro que ela cometeu.
Já os pais que impõem sua autoridade são aqueles que têm receio das suas próprias fragilidades. Os limites devem ser colocados, mas não impostos.
Não devemos ter medo de perder nossa autoridade, devemos ter medo de perder nossos filhos. A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer.
Paciência é o seu segredo, a educação do afeto a sua meta.
Confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.
Não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los.
Sem sonho não há fôlego emocional. Sem esperança não há coragem para viver.
Costumo dizer que o passado é um grande alicerce para edificarmos novas experiências, e não para vivermos em função dele.
A sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos.
Já dizia Vigotsky que “o conhecimento pronto estanca o saber e a dúvida provoca a inteligência”.
Todos os grandes pensadores foram grandes perguntadores. As grandes respostas emanaram das grandes perguntas.
Assim, quando uma pessoa para de perguntar, ela para de aprender, para de crescer.
Diante disso afirmo convictamente que humanizar o conhecimento é fundamental para revolucionarmos a educação.
Elogiar é encorajar a realçar as características positivas.
Criticar sem antes elogiar obstrui a inteligência, leva o jovem a reagir por instinto, como um animal ameaçado. O ser humano mais agressivo se derrete diante de um elogio, e assim fica desarmado para ser ajudado.
Ser educador é ser promotor de auto-estima. A autocomiseração, o conformismo, a falta de garra para lutar são sérios obstáculos à superação de um transtorno emocional.
Mencione-se ainda que toda escolha implica em perdas e não apenas ganhos.
Acabo dizendo que na escola dos meus sonhos cada criança é uma jóia única no teatro da existência, mais importante que todo o dinheiro do mundo.
Quanto orgulho! Pra ser bem sincera, demorou hein?
ResponderExcluirBem verdade!!! Mas, confesso ainda estar meio perdida nesse mundo....eu chego lá. Bjos
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